terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Parábola da Pedra

Um dia Jesus estava falando com seus discípulos e disse:

— Eu quero que vocês carreguem uma pedra pra mim!

Foi só isso que ele falou. Simão Pedro não entendeu o porquê. E também Jesus não explicou. Então Pedro deu uma olhada em volta e pegou o menor pedregulho que pôde achar e pôs no bolso. E Jesus disse: “siga-me!”

Então eles andaram a manhã inteira e na hora do almoço Jesus pediu para que todos se sentassem.

— Cada um pegue a sua pedra.

Ele fez um gesto e todas as pedras viraram pães. Era hora do almoço!

Depois de 20 segundos de almoço, Pedro terminou. Quando o almoço acabou Jesus disse:

— Em pé! E eu quero que cada um de vocês carregue uma pedra pra mim.

Pedro ouvindo isso logo olhou em volta e viu uma rocha, colocou-a nos ombros, doeu muito, ele mal conseguia andar. Ele dizia: “Tá difícil, mas mal espero ver a hora do jantar!”

Na hora da janta, Jesus os levou a beira de um rio e disse-lhes:

— Cada um jogue a sua pedra no rio e venham, sigam-me! E quando ele começou a ir embora e largar tudo para trás, Pedro e todos os outros ficaram embasbacados com Jesus.

— Vocês não entenderam? – disse Jesus – Pra quem vocês estão carregando esta pedra? Eu pedi para vocês carregarem a pedra para mim!

Fonte: Outra Forma de Pensar

Pra quem você tem carregado as pedras? Pra si mesmo, ou para aquele que te deu a ordem? Pense nisso.

Via - Territótio 7

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Cristo Crucificado

A Cristo Crucificado
(autor espanhol não identificado)
tradução de Manuel Bandeira

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido;
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu ainda te amara,
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.



ouça aqui o ator Juca de Oliveira declamar este poema




Fonte: Programa Devaneio - Rádio Band News Fm

(http://bandnewsfm.band.com.br/colunista.asp?ID=146)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Por favor...não me chame!

Roberta Lima

Não me chame para participar de campanhas, atos proféticos, mapeamentos territoriais, propósitos ou coisas similares a esta, cujo objetivo é barganhar e não adorar;

Não me chame para fazer orações determinando e ordenando a benção em “o nome de Jesus” e que não fazem Dele Senhor, mas FORNECEDOR;

Não me chame para falar mal de pastores, ministérios, zombar ou criticar, sem, no entanto, nada acrescentar;

Não me chame para fazer parte de grupos religiosos sectários;

Não me chame para correr de lá para cá atrás de moveres, conferencistas e inúmeros ventos de doutrina;

Não me chame para crer mas não pensar;

Não me chame para ser massa de manobra ou curral eleitoral para eleger pessoas interessadas em proteger seus feudos e não expandir o Reino;

Não me chame para coar o mosquito e engolir o camelo;

Não me chame para fazer de usos e costumes regras de fé e prática;

Não me chame para validar coisas que tão somente a “igreja” proíbe, mas a bíblia permite;

Não me chame para estender a mão e dar o pão ao próximo com o único intuito de praticar proselitismo e não exercitar o puro e simples amor ao próximo;

Não me chame para viver minha fé como se estivesse num gueto e não no Reino que é Dele e permeia todas as coisas;

Não me chame para julgar, sentenciar, reprovar e excluir os pecadores do Reino que a eles foi dada preferência; [Mateus 21:31]

Não me chame para mostrar a superioridade dos “ungidos” do Senhor;

Não me chame
para praticar bibliomancia ou consultar “profetas” que mais parecem cartomantes gospel;


Não me chame para aplaudir manifestações espirituais caricatas – em bom evangeliquês: retetés e riplaplás – mas que em nada transformam;

Não me chame para falar evangeliquês;

Não me chame para falar em nome Dele, brigar em nome Dele, mas nem sequer tentar amar como Ele;

Não me chame para reformar o irreformável;

Não me chame para restaurar o irrestaurável;

Não me chame para recuperar o irrecuperável;

Por favor, não me chame!

Mas se for para tentar viver a simplicidade do evangelho puro e verdadeiro, cristocêntrico e sobretudo relacional, por favor ME CHAME!


Roberta Lima é uma das superpoderosas do Genizah e do Meninas do Reino

ilútica ósão

Ilútica de Ósão
Um heus de Domem.
Um cremático carente.
Uma igrente preseja.
Uma viação de adorida,
tudo ilútica de ósão...
A comunêutica terapenidade,
o podavra da palder,
a comuntos dos sanhão,
ilútica de ósão...
O louberta que livor,
a underosa poção,
a ministrura de cação,
a ilútica ósão...
Vamos farença dizer!
Vamos comigo o inimbater!
Vamos declória a vitarar!
Vamos tosse pomar!
Vamos à ilútica de ósão...


Do ótimo blog do Wilson Tonioli , Verticontes !

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Devo, não nego

Ana Cristina Gontijo

Em maio de 2007, escrevi:


“(...) Minha visita à comunidade Vila Estrela teve a ver com uma moça que vigiou meu carro enquanto eu almoçava em um restaurante perto de casa. Viciada em crack há dois anos, ela não fuma há quase três semanas. Estava sendo ameaçada de morte pelos traficantes por uma dívida de sessenta reais. Por isso, vinha passando as noites na rua, perto do tal restaurante ali na esquina, ali embaixo, sem poder subir. Não pôde participar da festa do dia das mães promovida pela escolinha do morro. Ela tem três filhos. Naquele dia, antes que o sol despontasse, para não ser vista, tinha ido a sua casa para pegar uma muda de roupas. Aproveitou para dar um beijo nos filhos e coar um café para a mãe.

Durante as últimas três semanas, sem pouso, ela começou a ter contato com a graça libertadora de Deus de uma forma que, para qualquer um de nós, pareceria que Deus estava agindo no conta-gotas. Aparentemente, as coisas não haviam mudado tanto. Mas ela demonstrava grande alegria ao descobrir que seu Criador estava disposto a aceitá-la. Para ela, era como se uma forte chuva de graça estivesse descendo do céu sem nuvens, e ela dançando e comendo as gotas da chuva.

Eu vi. Uma moça jurada de morte, viciada há dois anos, finalmente passou três semanas sem fumar crack. Ela atribui o fato à libertação que vem de Deus. Para muitas pessoas lá no morro, é apenas fogo de palha: "Ela vai voltar, essa aí não tem jeito". Para mim, o maior milagre da Terra; o momento em que Deus se revela a um pequenino e o toma nos braços. Isso é suficiente para encher meu mundo todo de alegria.”


No período em que escrevi o texto, tive bastante contato com ela. Depois, sua irmã me procurou para dizer que ela vendeu todas as roupas que ganhou de mim e foi comprar a porcaria. Disse ainda que ela não prestava e que eu não perdesse meu tempo. Insisti ainda uma vez, consegui uma vaga em um projeto de recuperação da igreja batista mais perto de casa. Ela foi, depois voltou para casa e para o fumo. E eu me permiti desistir.

Acho que me satisfiz com as bondades que tinha feito, e, verdade seja dita – pensei - quem quer ajuda, quer; quem não quer, não quer. Fiz minha parte para um mundo melhor. Imagine você que saí do meu cercadinho e cruzei as chamadas fronteiras do submundo com uma moça que devia dinheiro a traficantes. Deus deveria estar muito feliz e orgulhoso de mim. Mas, agora que eu me sentia usada e enganada, melhor procurar outro depositário para minha caridade cristã. E foi assim, com desculpinhas esfarrapadas, que a eu-boa-samaritana modelo falsificado despiu sua fantasia e voltou ao normal.

Passei um tempo fora do Brasil. Quando voltei, encontrei na rua a irmã da nossa moça. “Tá presa. Aquela ali não presta. Eu avisei, né.”

Mês passado, reconheci um corpo magro, alto, pouco feminino, descendo a rua com uma penca de crianças. Era ela. Fingi que não vi e ela fingiu que não me viu. Ela me deve dinheiro e satisfação, está com vergonha de mim. Mas maior vergonha sinto eu, a maior devedora sou eu. Minha sorte é que ela não sabe.

A população inteira do planeta pode argumentar que não devo sentir-me culpada, afinal, ela é adulta e a vida é dela. Mas tem um detalhe, apenas um detalhe maior do que o mundo inteiro: um tal incômodo toda vez que penso nela – e sempre penso nela. Uma vontade de chorar por ela, um amor que brotou não sei de onde e não quer mais ir embora. Uma voz que me diz com insistência gentil: “Eu nunca desisti de você em nenhuma das vezes que você me enganou, eu não fingi que não conhecia você quando teve vergonha de me encarar.” Esta voz, o grito mais visceral da Terra, faz com que eu perca meu prumo. Revela minha nudez e meu descaramento camuflado de bondade traída.

A imagem daquele sorriso de esperança do primeiro dia em que conversamos me é eterna. Olhei em seus olhos e era eu. Naquele momento, nós duas nos encontrávamos em Deus, éramos o mesmo ser miserável, perverso, diverso e fantástico. Ela não mentia, eu não mentia. O encontro foi real.

Não me sinto responsável pelas misérias do mundo – embora eu seja, em parte, responsável pelas misérias do mundo – mas sou, sim, guardadora da Liliane e de seus filhotes. Não foi ninguém que me deu o título, eu apenas sinto e sei.


Mas sou tão canastrona, que, enquanto oro pedindo a Deus que me faça chegar mais perto dEle, enquanto aguardo a revelação de que lugar devo ocupar no Reino, ignoro uma mãe e três crianças na rua, fujo de qualquer coisa que vá exigir de mim mais do que uma boa ação aqui e ali. Vou lustrando as sandálias de Jesus com minhas pequenas justiças, mas no fundo sei o que tenho que fazer. No fundo, todo mundo sabe. Sabe, mas não faz.

Devo, não nego, pago quando puder.

Via Notas de Aprendiz

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A fome de Marina

Independente de que o seu candidato seja uma Silva da Selva, Uma Roussef não-russa, um Serra do planalto paulista ou qualquer outro ser bípede sem penas desse Brasil tropical bem legal, esse texto é impactante pela inteligencia, clareza de raciocínio, competência em buscar e encontrar referências.

*A FOME DE MARINA*
*Por José Ribamar Bessa Freire*

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.

Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.
Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros
truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana.

Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.

Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados.

De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição *sine qua non* para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política.

A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio. “Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”.

Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam. A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata
de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale?

Talvez Rita Lee tenha razão em
ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?

*O mapa da fome *

*A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.*
Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.

Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que,
mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava
seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.

A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.

Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.
Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT.

Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco , quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.

Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal.

Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.

*Tudo vira bosta*

Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/
e o programa do partido: tudo vira bosta”.

Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.
Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando:

“Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem…
e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”.

A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem,
se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.

Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome.
Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?

Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz
e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”.
O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil…

*Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.*

*Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.*


*Por *José Ribamar Bessa Freire
*Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)e
pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)*

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O desafio de encarnar

QUANDO O VERBO…
A disciplina da inclusão envolve mais do que um lançamento contábil; envolve mais do que fazer com que o que era contado como de fora passe a ser contado como de dentro. Em cada caso, cada vez que uma pessoa se dispõe a abraçar incondicionalmente uma outra, há um verdadeiro trajeto a ser vencido: um percurso a ser primeiro encontrado e depois percorrido. Ser salvo é ser salvo das distâncias, e arrepender-se é passar a agir deliberadamente de modo a transpô-las.

Vencer em regime definitivo a distância entre eu e o outro é o sentido da cruz e da salvação. É também, ao que tudo indica, a chave do reino de Deus.

O amor, como inventado ou apresentado por Jesus, não é apenas severo, absolutamente inflexível em sua disposição de favorecer e de integrar; é também consistentemente gentil – embaraçosamente gentil. De fato, sua severidade fica demonstrada no caráter inabalável de seu cavalheirismo.

Paulo Brabo, em A invenção da gentileza

…SE FAZ CARNE
Ainda era uma criança quando ouviu, pela primeira vez, falarem sobre Deus. Seus pais se referiam a Ele como “papai do céu”; na escola, adolescente, ouviu de alguns colegas “o cara lá em cima”; na faculdade foi surpreendido por um sujeito que se referia a “certa incógnita”, mas quando estava prestes a morrer que teve a grande revelação: ante ao último suspiro, um amigo lhe apertou a mão e sussurrou-lhe ao pé do ouvido: não se preocupe, estou aqui.

Will, meu amigo, em A grande revelação

via - Laion Monteiro

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Amo como ama o amor

"Nisso consiste o desafio do amor: amar quem não nos amou bem, quem nos feriu, amar quem nos oprimiu com seu amor não tão puro, ou com seu jeito meio estúpido de ser e amar"
(Ed René Kivitz).

sexta-feira, 25 de junho de 2010

:: Juca Kfouri: o ateu à toa! ::

O Deus vivo não é um fenômeno que pode ser explicado ou comprovado por experimentos de laboratório. Deus deve ser sentido pelo coração, e não provado pela razão. Até porque a ciência jamais poderá explicar um Deus que, mesmo sendo todo-Amor, consola com a dor, cura com a ferida, apaga o passado com fogo, fala nos momentos de silêncio e dá a paz com o conflito interior.

Aliás, muitas das presunções dos que se dizem racionalistas e ateus devem ser repensadas sob a lógica das hipóteses que eles mesmos aceitam como verdadeiras. Como diz C. S. Lewis, “se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. [...] Mas se os pensamentos deles são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu”.

Por isso, entre ser escravo de uma razão que nunca vai me libertar e ser amigo e servo de um Deus que me faz livre, fico com a liberdade. Entre ser dependente de uma intelectualidade que me torna cada vez mais arrogante e ser dependente de um Deus que me faz humilde, prefiro a humildade. Entre as presepadas passageiras faladas por Juca Kfouri e as palavras de vida eterna e paz deixadas por Jesus, fico com as de Jesus. Em vez de dar crédito a um ateu que não acredita em Deus, prefiro dar crédito a um Deus que não acredita em ateus. Prefiro ter fé em um Deus que não acredita em “Jucas Kfouris”.

A diferença entre o ateu à toa e Kaká? Para o primeiro, nada na vida é um milagre. Para Kaká, tudo na vida é um milagre. Parafraseando Benjamin Franklin, Kaká acredita no cristianismo da mesma forma que acredita que o sol nasce todo dia. Não apenas porque o vê, mas porque através dele Kaká vê tudo ao seu redor.

E, da minha parte, faço como Kaká: agradeço este texto a Jesus Cristo, porque, sem Ele, eu não posso fazer nada!


Por Fernando Khoury no Atelier das Idéias

Leia todo o texto aqui

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Voto de tolos

Alexandre Garcia

Estão misturando Deus com campanha eleitoral. Pode não ser pecado contra a Lei Eleitoral, mas, sem dúvida, é pecado contra a Lei de Deus. Está no 2º Mandamento: “Não tomarás Seu Santo Nome em vão”. Lembro isso porque há poucos dias o Padre Marcelo Rossi oficiou uma missa de corpo presente de José Serra e pediu orações para o candidato. Outro dia, foi a vez da candidata Dilma receber as orações de ministros evangélicos. Num país em que se agradece a Deus pelo dinheiro que entrou nas meias, nas cuecas e nas bolsas, isso pode não surpreender, mas não faz o menor sentido. Uma, porque o Estado, sob cuja égide se realizam as eleições, é laico; outra, porque Deus não se mete nisso. Ele nos deu o livre arbítrio.

Se Deus se metesse em política, certamente Hitler não teria nascido ou não teria assumido o poder na Alemanha. E se Deus se metesse nessas coisas, o responsável pela matança de 6 milhões de judeus – o povo com que Ele tem mais intimidade – seria o próprio Deus. A Stálin tampouco seria dado o poder de matar milhões de russos, justo no país em que a fé cristã é profundamente forte. Se Stálin não tivesse livre arbítrio, o responsável seria Deus. Também imaginam que Deus e os santos se metem em sorteios, jogos de futebol, coisas assim. Se isso fosse verdade, Deus estaria sendo bondoso para o ganhador da Sena e cruel para os milhões que perderam. Dizem que se reza para santo decidisse partida de futebol, o campeonato baiano ficaria todo empatado…

Há lugares em que se misturam estado e religião. O Vaticano é o estado de mais evidente exemplo disso. Mas o Afeganistão dos talibãs foi um triste outro exemplo de teocracia, como é hoje o Irã dos aiatolás. O Tibete, hoje controlado pelos chineses, era um reino controlado pelo líder religioso, o Dalai Lama, hoje expatriado. Israel do Velho Testamento era um estado com grande intimidade com Deus, o Jeová ou Adonai. Hoje Israel é, como o Brasil, um estado laico. Religião e poder misturados têm causado, como mostra a História, matanças, inquisições, morticínios cruéis. Os reis católicos da Espanha, Fernando e Isabel, promoveram matanças de velhos, mulheres e crianças só porque eram muçulmanos. E viraram santos.

Assim, é perigoso fazer a mistura, mesmo porque se Deus tomasse partido, negaria sua própria essência, porque se colocaria do lado de um grupo de filhos contra outro grupo de filhos do mesmo Pai. Se pudesse negar a essência, não seria Deus. Parece simples, esse raciocínio, mas para quem comete o pecado de não usar o cérebro que Deus nos deu, essas obviedades não são consideradas e se entra na campanha eleitoral com a maior irracionalidade, aceitando conselhos de ministros religiosos para votar neste ou naquele candidato, em nome de Deus. Como se Deus escolhesse seus representantes – o que também negaria sua essência, ao dar preferência para alguns. É, sim, pecado de arrogância, se anunciar como representante de Deus.

Para o fim ficou o pior de tudo. Há os que usam Deus para ganhar dinheiro. Aí, não é apenas pecado contra o 2º Mandamento de Deus; é também pecado contra os mandamentos dos homens, inscritos do Código Penal. Um pecado chamado estelionato.

Fonte: RepórterNews
Imagem: Internet

Via Pavablog