quinta-feira, 23 de julho de 2009

Um dia você acorda


Um dia você acorda e sente que já não é mais o mesmo, que o cheiro da vida mudou, que as antigas motivações não lhe servem mais, como roupas antigas e apertadas, desbotadas pelo uso excessivo.

Um dia você acorda e percebe que a luz está diferente, que os sons da vizinhança não lhe dizem mais respeito, que o som do seu coração está cansado das mesmas batidas na terra, seu coração está pedindo é para voar. Percebe que antigos sonhos estão voltando, mas não têm lugar naquele pouco espaço que lhes foi destinado, como uma revoada de passarinhos a fazer um barulho incrível no seu peito, batendo asas e soltando penas.

Você acorda e se dá conta do que não fez, de onde não chegou, dos arranjos e das coisas e gentes que usou para seu gozo, e no entanto, não conseguiu ser íntegro consigo mesmo.

Um dia acorda e percebe: decepcionado, quis crer em tantas crenças e doutrinas, se esforçou para agradar a gregos e troianos, disse "sim" quando queria dizer "não", e deixou de falar "não" tantas vezes que já não sabia mais qual era o seu querer, quais eram os seus sabores preferidos e a direção que escolheu caminhar.

Da mesma forma, acorda e percebe que estava com saudade da sua música, seus livros, seus segredos e seu ócio. Acorda e olha para o teto, vê possibilidades acima do teto; sorri, simpatizando-se com a aranha tecendo teimosa a despeito das estocadas diárias da vassoura. Sem se render, ela recomeça toda noite, e agora você se dá conta que existe a coragem de recomeçar.

Um dia você acorda e lembra que riu, comeu e sentou a mesa com gente que de fato nunca se importou, e você oferecendo seu melhor sorriso em troca de aceitação. Que bobagem. Lembra que não protestou diante de absurdos, recolhendo-se à boa educação de sempre. Lembra que deu o relógio para a pessoa errada, e deixou de abraçar por puro preconceito, e que não tentou mais uma vez.

Um dia você acorda cansado de dizer que está cansado de viver, e decide que vai correr o risco de recapitular suas teologias e filosofias.

Um dia. Um dia você acorda.

HBP - janeiro de 2000
Postado por Timilique! às 8:00 AM

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Marca do Cristão

“Nós não apenas cremos na existência da verdade, mas também cremos que nós temos a verdade - a verdade que podemos compartilhar no Século XX. Você pensa que nossos contemporâneos nos levarão a sério se nós não praticarmos a verdade na qual dizemos crer? Numa Era que não acredita que a verdade exista, você crê que nós teremos qualquer credibilidade se não praticarmos a verdade…?”

- Francis August Schaeffer (1912-1984)

Despedidas e anseios

Não posso satisfazer as expectativas de quem anda mal resolvido com a vida. Afasto-me da personagem que tentaram grudar em mim. Não vou deixar que desajustados se escorem em mim - ou me apedrejem.

Não consigo carregar o peso do mundo. Desisto de pretender conquistar hegemonia. Se instituições convivem com rinhas internas, não vou pacificar cizânias tolas. Reconheço que jamais consertarei comunidades carcomidas de politicagem.

Assusto-me com a fúria dos severos defensores do dogmatismo. Eu nunca saberei solucionar paradoxos que se arrastam há séculos. Evito responder aos enigmas das Esfinges modernas, todas prontas para devorar o fígado de incautos.

Não tenho coragem de jogar xadrez com gente que não confio a carteira. Sou avesso aos carreiristas eclesiásticos. Desconsidero os incompetentes que sobrevivem de futrica. Não sou motorista de calhambeques religiosos.

Recuso-me a andar na bitola que o fundamentalismo chancelou e recomendou. Aliás, a única chancelaria que admito é minha consciência, aliada ao testemunho das Escrituras, que eu investigo livremente.

Não aceito que tradição, escola ou cânone, limitem a minha capacidade de arrazoar. Rechaço a obediência servil. Odeio a timidez intelectual. Não gosto dos bons modos de um pio patriarcado, que acabou transformando a Casa de Deus em feira-livre.

Quero aprender a viver. Busco leveza. Anseio ser amigo de gente espirituosa que sabe desafogar a vida.

Há pouco, por condescendência, alguém afirmou que não sou teólogo, apenas poeta. Apesar de não me considerar digno de tamanha distinção, sorri de felicidade. Que honra! Poetas não acenderam fogueira na Inquisição. Mas um teólogo mandou matar o médico Miguel de Serveto.

Quero aprender a amar. Apreciar, sem extravagância, as mínimas coisas: o tirocínio do garoto; o desabrochar da paixão na menina em flor; a conversa de velhos amigos. E no final do dia, rever as horas e notar que o saldo foi uma tremenda paixão por simplesmente existir.

Quero aprender a adorar. Transformar genuflexão em serviço; descer do alto de meus privilégios para estender a mão ao mortiço que jaz na estrada próxima de Jericó. Desistir de suplicar qualquer graça que me distinga do resto da humanidade - longevidade, vingança, cura ou riqueza. Desejo ser brindado com a bênção de encarnar Deus entre homens e mulheres. E assim poder dizer que não vivi em vão.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A SUA CURA, O OUTRO....

Os caminhos do coração humanos são indecifráveis...
Você vê gente sofrendo de tudo, e vivendo como se tudo fosse normal. Você, por outro lado, vê gente sofrendo de nada como se sofresse de tudo...
Na realidade, cada vez mais, minha experiência vai mostrando que não há escolas psicológicas capazes de atender a cada alma humana.
De fato, cada alma demanda uma psicologia pessoal e particular...
Não dá pra dizer que Freud explica quase nada...
Freud explica a si mesmo..., e olhe lá...
Sua Psicanálise é auto-analise, por mais “cientifico” que ele pretendesse ser, posto que por mais isento que fosse, a “ciência” que ele praticava só poderia ser verificada a partir dele mesmo, não apenas de sua interpretação, mas de sua própria/particular/existencial experiência psicológica.
Há pessoas que me procuram com crises de contornos “freudianos”. Para tais pessoas Freud parece funcionar bem... Outras, porém, nada têm a ver com o que o Freud pressupôs houvesse em todo homem, sem que haja...
Nesses casos, tateio até ver a “porta de entrada” da pessoa, e, frequentemente, verifico que tal “entrada” não existe nas matrizes das linhas psicológicas clássicas ou pedagógicas, e, portanto, demanda uma psicologia singular, tecida entre você e a pessoa, até que o sistema esteja mais ou menos visível e, portanto, discernível.
Em outras palavras: tem que ser como Jesus praticava...
A “psicologia” de Jesus era simples e se servia das metáforas que as pessoas traziam ou compreendiam. Tudo, porém, tinha ver com “aquela” pessoa, e não com uma matriz psicológica universal.
Assim, com Jesus não há padrões... O padrão é o individuo...
Desse modo, cada pessoa demanda uma psicologia singular, por mais que os modelos psicológicos possam ajudar aqui e ali. No entanto, depender exclusivamente deles é pura tolice...
O modelo de Paulo, a confrontação, é o que vejo que melhor ajuda as pessoas, pois, de fato, trata-se de um método não metódico, é que busca discernir a essência da questão, e trata dela cara a cara, sem medo de afirmar, de indagar, de sugerir, de provocar, de perturbar mesmo... — até que a verdade vá aparecendo, e, assim, a pessoa vá se enxergando e tomando as decisões práticas quanto a debelar o vício do sintoma como mal a ser tratado como causa... sem que o seja.
Os pudores psicológicos atrasam em demasia a cura das pessoas...
Vejo pessoas oito, dez, doze anos em um terapeuta, ruminando os mesmos bagaços, pagando caro para serem ouvidos sem que isto deslinde qualquer coisa em seus interiores, até que chegue o dia da verdade...
Então, sem pudor, atendo a tais pessoas; algumas já sabem tudo de tudo, até mais que a maioria dos psicólogos, de tão profissionais como clientes que vieram a se tornar...
A surpresa para elas é que o que durara anos, por vezes em uma, duas, três semanas, ou em poucos meses, cede...; e, então, começa a abrir o espaço interior para que, pela via da confrontação, a pessoa comece a parar de chocar seus quase/dramas; e, assim, sem pena de si mesmo, sem transferências de nada para ninguém, sem auto-piedade ou auto-comiseração, o individuo comece a reagir; e, em não muito tempo, comece a ficar perplexo com os resultados...; sem saber a razão de não ter que ser um processo necessariamente tão longo e demorado no atingimento dos desejados resultados...
Na realidade o que a maioria das pessoas necessita é do encaramento na e da verdade!
Noto o despreparo brutal da maioria dos chamados profissionais de Psicologia. Alguns nada dizem apenas porque não têm mesmo o que dizer... Outros gostam da lentidão... Ela é lucrativa... Há ainda os que são tão doentes que fazem psicologia para se distraírem de si mesmos ouvindo os outros... Mas poucos há com consciência do que seja a ajuda que as pessoas precisam...
Ora... isto sem falar naqueles que são pagos apenas para consentirem com o devaneio do individuo...
São os Psicólogos do “vamos que vamos”...
Sim, você o paga apenas para que ele diga que você tem razão em soltar todas as frangas e todos os bichos do seu zoológico particular...
No meio disso tudo, há alguns profissionais da psicologia que são de fato muito bons, embora poucos.
O que me ressinto mesmo é do fato que se houvesse entendimento do Evangelho, e amor e limpidez de propósitos, todo verdadeiro pastor de almas naturalmente seria um psicólogo.
Mas quase não há tal coisa... A maioria dos pastores está tão perdida que nem mesmo dá conta de sua própria alma, quanto mais da dos outros!...
A receita de cura de Isaías é simples [cap.58]: liberte os oprimidos, quebre cadeias nos outros, franqueia a vida ao próximo, não fuja dele; e mais que isto: abra a sua própria alma com o aflito [deslocando o foco do “si-mesmo” para o outro] — pois, então, se diz: A tua cura brotará sem detença!...
A melhor terapia desta vida sempre será o serviço em amor!
Quem se esquece de si e arranja olhos para a vida, em geral ficará curado enquanto limpa feridas e cuida de angustias alheias...
Aquele, porém, que apenas cuida de si mesmo, de suas supostas dores, e concentra-se exclusivamente em sua angustia como elemento pivotal da existência universal, esse pode contratar o melhor psicólogo para que lhe ande a tira-colo, pois, ainda assim, jamais ficará curado...
Ninguém sabe em que espírito o Samaritano vinha sem seu caminho... Entretanto, pouco importa se ele vinha cantando, alegre, feliz e grato, ou se vinha sofrendo, angustiado e infeliz... Sim, o que importa é que ele olhou para o outro, o outro pior do que ele, o outro sem autodeterminação, caído no caminho... E mais: fez isso sem que importasse quem ele ou o outro fossem um para o outro...
Sem que fosse significativo como o Samaritano estivesse se sentindo, o que valeu foi o ato, foi o feito, foi a parada e o levantar do homem...
Sim, o importante não era a subjetividade, mas a objetividade da decisão...
Digo isto hoje porque vejo que muitos dos que me escrevem jamais ficarão curados enquanto não se esquecerem de si mesmos, e, enquanto não transformarem sua auto-vitimização em ação pró-ativa em favor da vida...
Pense nisto; e pare de lamber adoecidamente as suas próprias feridas...

Nele, que nos cura pela verdade e pela prática do amor voltado para aquele que vemos..., e que carece de graça e cuidado,

Caio
28 de maio de 2009
Lago Norte
Brasília
DF
www.caiofabio.com

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Teologia líquida

"Perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma." Jr 6.16
Ou seja, quantidade e velocidade com a qual recebemos informação atualmente não nos permite guardar nossas memórias. Estamos agindo de forma bastante leviana com o que é relevante, seja ligado a nossas origens, ou assuntos relativos a nossa sociedade. As memórias se perdem e as novas informações não são devidamente assimiladas. -- Nossas memórias precisam ser cuidadas. Sejam as ligadas as nossas origens pessoais, ou a história da humanidade. Fatos e pessoas importantes estão sendo esquecidos cada vez mais. Muita velocidade e informação, mas nenhum tempo para guardar. O tempo e as lembranças desbotam e escorrem como líquido de nossas vidas. (comentário do Overmundo).

O tempo parece escorrer pelas mãos. E a teologia e a história da igreja não escapam dessa corrosão contemporânea de uma sociedade líquida. Entenda-se sociedade líquida como algo que se transforma velozmente e que não permite a estabilização de modelos ou tradições. Estamos vivendo um mundo que ultrapassou o conceito de pós-moderno e é algo indefinido e fluido.

“Vivemos o tempo do conecta e desconecta”, como disse Bauman -- professor emérito das universidades de Leeds e de Varsóvia, 83 anos, autor de best-sellers como "O mal-estar da pós-modernidade", "Modernidade líquida" e "Amor líquido", o sociólogo polonês Zigmunt Bauman é um ferrenho analista das consequências sociais do que conhecemos como progresso. (ver).

“Vivemos um tempo em que estamos constantemente correndo atrás. O que ninguém sabe é correndo atrás de quê.” (Bauman). Fragmentação, descarte, não há tempo para refletir, meditar, estudar, orar, adorar, tudo é tão rápido e sem profundidade! Não há sólidas crenças em verdades absolutas! Como ser conservador, tradicional ou ortodoxo se a teologia flui, amolda-se aos estilos? Alguém no passado já nos ofereceu uma resposta: “Se mil crenças antigas fossem aniquiladas em nossa marcha em direção à verdade, ainda assim deveríamos continuar marchando”. (Stopford A. Brooke).

Tudo o que está nas Escrituras e na História da Igreja foi escrito para nos ensinar, a fim de que tenhamos esperança e não venhamos a repetir determinados erros.

Romanos 15:4 "Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança."

Provérbios 22:28 "Não removas os marcos antigos que puseram teus pais."

Jeremias 6:16 "Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos."

Uma Igreja forte não será erguida sem um bom conhecimento da história do cristianismo, pois conhecemos a Igreja através da Bíblia e da história da igreja. Graças a Deus pelos “arquivos e pastas” que Ele preservou para a igreja. A história das doutrinas cristãs, seu desenvolvimento, seus erros e acertos! Imaginem uma igreja sem memória dos marcos antigos! Esforcemos-nos para preservar e entregar a doutrina que os apóstolos receberam! Alguém já disse: “Aquele que propaga uma grande verdade no mundo serve à sua geração”. Sirvamos a nossa geração e também as futuras! O que deixaremos e entregaremos para os nossos filhos?

1 Coríntios 15:3 "Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras."

1 Coríntios 11:2 "De fato, eu vos louvo porque, em tudo, vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei."

Autor: Raniere Maciel Menezes
Fonte: [ Frases Protestantes ]
Via - Bereianos

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Evangelho medíocre, podre ou vivo?

Tô forçando a barra...

A coisa não tá tão feia assim galera, ponho no 21 e assisto a milhares de testemunhos, curas, libertações, prosperidade, só alegria.

Passo pra rede gospel e me impressiono com o volume de vitórias, é só vitória....

Pulo para univertv e tem um paistor de santo dando receitas de como chegar lá, um monte de gente falando que era falido agora é ricão, era solteiro agora casou, era mendigo agora pilota avião, tem mansão, rolex no braço, etc...

Então a coisa ta boa demais sô!

É muito poder sendo liberado pelos homens da fé!

Nenhuma maldição tem no arraiá daqueles que ficam embaixo da cobertura paistopóstólica, é um bando de gente que não conhece doença nem dente quebradiiu porque se cai nasce um de ouro.

Fico eu cá com meus botões, conheço tanto pregador pobre, desempregado, doente, problemático, chutado pelo ministério, porém tão coerente e respeitado quando abre a boca para falar das Boas Novas, será que estes homens são um bando de endemoniados ou fracos na fé?

Até quando vamos achar que ser servo de Deus é sinônimo de viver esta vida feliz, alegre, ter saúde, família, ser belo, etc...?

É lógico que queremos isto, todos querem, felicidade, família, amor, saúde, emprego, dinheiro, etc...

Mais até quando isto vai influenciar a verdade da mensagem de Cristo em nossas vidas ?

Até quando aceitaremos somente um evangelho mediocre que só serve para preencher o nosso ego e satisfazer nossas necessidades?

E olha que este evangelho é fácil de identificar, primeiro diminui o sacrifício de Cristo, depois coloca a graça como algo conquistável por méritos próprios.

Por mais abençoados que julgamos ser, na verdade mais distantes do principal objetivo que é a salvação e a vida eterna estaremos.

E a cada dia milhares se rendem a este evangelho podre, que coloca o homem com autoridade para liberar bênçãos e curas, promete vida abundante já, prosperidade e vitórias sem fim.

Nós é que não vamos ficar em cima do muro, estes sinais de Deus não tem nada, Ele jamais agiu desta forma ou nos ordenou a fazer as coisas assim.

Acontece que fazem o que bem entendem e acredito que na maioria das vezes não é por ignorância Bíblica, o negócio é intencional, sabem que estão enganando o povo e indo para o inferno!

Cremos na Bíblia então cremos no impossível, no evangelho vivo, simples, onde tudo é por Cristo e para Cristo, onde através Dele de sua Graça e misericórdia conquistamos a vida eterna e paz, mesmo diante de problemas, enfermidades e provações que são inevitáveis a todos sem exceção.

Se formos abençoados com saúde, emprego, casa, família, etc... amem!
Se não, amem também! bola pra frente, vamos caminhar louvar e entregar a cada dia nossas vidas nas mãos Daquele que tudo conhece, que sonda todos os propósitos e pensamentos.

Simples assim, vê se não complica pô!

Marcelo eee Eunice Fonte: [ Caminhando na Graça, de graça! ] - Via Bereianos

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Paradoxo do Tempo - George Carlin

"Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'.
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Em quem crer depois de Auschwitz?

Entrada do campo de concentração de Auschwitz
por Volney Faustini
"Em quem se deve crer depois de Auschwitz, senão em Deus?”
Jürgen Moltmann

No final de 2008, o famoso teólogo e autor Jürgen Moltmann visitou o Brasil. Ele é considerado o pai da Teologia da Esperança, influenciando protestantes e católicos há mais de quatro décadas. Por ter sobrevivido aos campos de concentração da 2ª Guerra Mundial, sua citação está totalmente contextualizada, não sendo uma expressão meramente retórica.

Um paralelo desse argumento me foi apresentado por Ariovaldo Ramos.

"Quando alguém me pergunta: como pode existir um Deus, se o mundo tem maldade? Eu respondo: exatamente porque essa maldade não toma conta de tudo, é que creio que Deus existe.”

Não é que um exista para justificar o outro, mas a presença do mal, a começar no coração do homem, é uma evidência clara e patente de nossa perdição. E mesmo para os céticos e ateus, é impossível negar sua existência.

***
"Se tivesse uma só, pequena e minúscula luz, nesta imensa escuridão, que me desse um sinal de que há uma resposta, um sentido, um grão de esperança – colocado no coração do homem ... eu acreditaria em Deus.”

O aperto no coração do filósofo o angustiava. Diante das certezas de tudo incerto e caótico, já não sabia ao certo a razão de viver. Seu muito estudar só havia lhe dado mais desesperança e descrença.

Eis que uma singela história lhe vem como que resposta de uma oração sincera, porém não intencionada.

O relato de Le Chambom-sur-Lignon o pegou desacautelado. Era uma notícia comemorando os 30 anos da vitória aliada sobre o Nazismo. E lá estava num pequeno Box, ocupando parte da página da direita a foto do vilarejo e o resumo de uma incrível e surpreendente saga de bondade perpetuada por homens e mulheres comuns, porém de um heroísmo ímpar.

Essa comunidade no centro sul da França, predominantemente de linhagem dos huguenotes, tomou forma em 1787, quando o Édito de Tolerância assinado por Luís XVI, devolvia aos cidadãos franceses protestantes (no caso, os huguenotes) os direitos civis plenos. Acostumados a ouvir as histórias de perseguição em razão de sua fé, cada geração absorvia o drama como que encarnando o sentido do amor e da bondade. Entendiam esses franceses diferentes, qual o valor da solidariedade e o peso da cumplicidade em prol dos mais fracos.

Após a invasão nazista, e iniciando-se a perseguição e prisão de judeus, também em território francês, esse vilarejo veio se transformar em palco de uma das mais extraordinárias histórias de resgate e bondade humana.

Cerca de cinco mil crianças e jovens judeus foram acomodados e escondidos em casas e fazendas ao longo desse território abençoado. A polícia de colaboração e a força SS Nazista frustravam-se em tentativas de flagrar e aprisionar tanto os da população local como os judeus acolhidos. Com um bem azeitado sistema de alarme, as crianças eram escondidas na mata, e só retornavam a seus abrigos quando os locais, livres da batida militar, passavam a entoar hinos de vitória e louvor. Dentre os mártires de Le Chambom estava Daniel Trocmé, que foi preso e morto. Essa grande odisséia durou quase 3 anos, de 1942 a fins de 44, quando finalmente essa parte da França foi libertada pelas tropas aliadas.

Impactado pelo relato, e sedento por entender os motivos e a consistência da coragem desses heróis, o filósofo se pôs em leituras e pesquisas, a perseguir o fio da meada, até chegar ao extremo do novelo. Amarrado em um poste de madeira, ele ergue seus olhos e se vê joelhado diante da Cruz!

Volney Faustini – Autor, blogueiro e consultor de empresas com foco em Inovação e Tecnologia. Foi o editor da Revista Kerigma, tendo atuado em diferentes ministérios de alcance nacional. Atualmente, congrega na Igreja Batista da Água Branca.

terça-feira, 19 de maio de 2009

RECEBA ESTE SOCO NO MEIO DA CARA COM TODO AMOR!

As pessoas mais significativas deste mundo em geral são as que menos teriam razões para justificar seus feitos, atitudes, realizações e conquistas.

Muitas vezes são órfãos, seres rejeitados, abusados, limitados, doentes, em dor constante...; sem meios, não entendidos, designados para funções menores pela condição que tenham; seja física, mental, psicológica, social, econômica, racial, religiosa, política, étnica, etc.

Enquanto isto a maioria, com tudo em cima, se queixa de tudo; e não tendo do que resmungar na sua própria existência, xingam a vida em razão dos outros, dos que sofrem...

Há ainda os que falam palavrões contra a existência porque não tendo do que queixar-se, queixam-se de que a vida seja muito chata...

O fato que uma boa cura para esse monte de chorões sem causa, para essa miríade de deprimidos em busca de uma razão para a depressão, e dessa legião de murmuradores crônicos, ou até dos “Emo” que se reúnem para chorar... — é dar a eles umas férias no Vale do Jequitinhonha ou até em um campo de refugiados na África, quando, milagrosamente, ficariam curados de toda depressão e surtos de xingamentos existenciais na hora...

A maioria está prostrada por pura frescura!

Só mesmo fazendo a vida ficar definitivamente ruim para ver se tais pessoas realizam o fato de que a ingratidão delas pára as suas vidas; e que faz com que assisti-las seja insuportável.

Dor, queda, tropeço, dificuldade, limitações, inferioridades, impotências, acidentes, calamidades, tristezas, perdas, e tudo o mais, todo mundo tem.

O vídeo que mostro abaixo é um soco no meio do nariz aquilino dos raivosos contra a vida apenas porque têm tudo...

Não admitem que eles é que são umas drogas de gente sem vontade de viver e de servir.

No fim cumpre-se o velho adágio que dizia:

Quem não vive para servir não serve para viver!

Veja e se enxergue!

Um grande beijo!
Ah, pare de resmungar e faça algo útil de sua existência!

Nele, que dá força aos que Nele esperam,


Caio
18 de maio de 2009
Lago Norte
Brasília
DF